O que caracteriza o ciclismo de endurance?
O ciclismo de endurance envolve esforços prolongados, geralmente acima de duas horas, com demanda energética contínua, perda progressiva de líquidos e eletrólitos, e maior estresse gastrointestinal. A manutenção da performance depende de uma estratégia consistente de ingestão de carboidratos, hidratação e reposição de sódio ao longo de todo o percurso.
Por que a estratégia nutricional é decisiva no ciclismo de longa duração?
Durante o pedal, os estoques de glicogênio diminuem gradualmente. Sem reposição adequada, é comum ocorrer queda de potência, fadiga precoce e dificuldade de manter o ritmo. Além disso, a desidratação e a perda de sódio comprometem a função muscular, a termorregulação e a tolerância ao esforço.
Uma estratégia bem planejada ajuda a:
Manter a disponibilidade de energia.
Preservar o desempenho ao longo das horas.
Reduzir risco de cãibras e desconforto gastrointestinal.
Sustentar foco e tomada de decisão durante a prova ou treino.
Qual o papel dos carboidratos no ciclismo de endurance?
Os carboidratos são a principal fonte de energia durante exercícios de intensidade moderada a alta. A ingestão ao longo do pedal mantém a glicemia estável e poupa parte dos estoques musculares.
De forma geral, atletas se beneficiam de cerca de 30 a 90 g de carboidrato por hora, dependendo de fatores como:
Duração do treino ou prova.
Intensidade do esforço.
Nível de treinamento.
Tolerância gastrointestinal.
Estratégias com múltiplas fontes de carboidrato, como glicose e frutose, favorecem maior absorção e menor sobrecarga intestinal.
Como deve ser a hidratação durante o pedal?
A hidratação deve acompanhar a taxa de suor e as condições ambientais. Perdas de apenas 2% do peso corporal em líquidos já podem impactar o desempenho.
Na prática, recomenda-se:
Ingestão regular de líquidos ao longo do percurso.
Evitar longos períodos sem beber.
Ajustar o volume conforme calor, umidade e intensidade do esforço.
A hidratação não deve ser baseada apenas na sede, especialmente em provas longas.
Por que repor eletrólitos, especialmente sódio?
O suor contém sódio, mineral essencial para o equilíbrio hídrico e a contração muscular. A reposição ajuda a manter o volume plasmático, reduzir o risco de hiponatremia e melhorar a absorção de líquidos e carboidratos.
A necessidade varia conforme:
Taxa de sudorese individual.
Clima e temperatura.
Duração do exercício.
Como montar uma estratégia prática durante o ciclismo de endurance?
Uma abordagem eficiente combina energia e hidratação de forma contínua ao longo do pedal.
Antes do treino ou prova:
Garantir ingestão adequada de carboidratos nas horas que antecedem.
Iniciar o exercício bem hidratado.
Durante:
Consumir carboidratos em intervalos regulares.
Manter ingestão de líquidos de forma fracionada.
Incluir sódio conforme duração e condições ambientais.
Depois:
Repor líquidos e eletrólitos.
Consumir carboidratos para recuperação do glicogênio.
Associar proteína para reparo muscular.
Quais erros são mais comuns?
Entre os principais pontos que comprometem a estratégia estão:
Subestimar a necessidade de carboidrato por hora.
Hidratar-se apenas quando surge sede.
Não testar a estratégia em treinos antes da prova.
Concentrar toda ingestão em poucos momentos.
Por que testar a estratégia no treino?
O intestino também se adapta ao treinamento. Testar volumes, formatos e frequência de ingestão ajuda a reduzir desconfortos e melhora a eficiência da absorção durante a prova.
A estratégia ideal é individual e depende da experiência, da intensidade do pedal e das condições em que o atleta treina e compete.
Referência científica
Clauss M, Skattebo Ø, Dæhli MR, Valsdottir TD, Bastani NE, Johansen EI, Kolnes KJ, Skålhegg BS, Jensen J. Carbohydrate ingestion during prolonged cycling improves next-day time trial performance and alters amino acid concentrations. Medicine & Science in Sports & Exercise. 2023;55(12):2228-2240. doi:10.1249/MSS.0000000000003264.