Treinar é o estímulo que sinaliza ao corpo que ele precisa se adaptar. Mas a adaptação não acontece durante o treino. Ela depende do que acontece depois dele, quando o organismo tem tempo e recursos para reparar tecidos, repor energia e responder ao estímulo recebido.

Por isso, descansar não significa simplesmente fazer menos. Em uma rotina de treinamento bem estruturada, o descanso faz parte do processo que permite transformar o estímulo do treino em evolução.

O que acontece durante o descanso?

Durante o exercício, o corpo é submetido a diferentes tipos de estresse. Os estoques de glicogênio são reduzidos, ocorre dano muscular e os sistemas cardiovascular, metabólico e neuromuscular são exigidos.

No período de recuperação, o organismo trabalha para restaurar esses sistemas. O glicogênio muscular é reposto, os tecidos são reparados e diferentes processos relacionados à adaptação ao treinamento acontecem.

É justamente nesse período que o corpo se prepara para responder melhor ao próximo estímulo.

Descansar também influencia a qualidade do treino

Quando a recuperação não acompanha a carga de treinamento, o problema não é apenas sentir mais cansaço.

A fadiga acumulada pode reduzir a capacidade de sustentar intensidade, alterar a percepção de esforço e dificultar a execução do treino planejado. Em esportes de endurance, isso pode aparecer como dificuldade para manter o ritmo, aumento da frequência cardíaca para uma mesma intensidade ou sensação de esforço maior do que o habitual.

Ou seja, treinar mais não significa necessariamente conseguir treinar melhor.

O descanso faz parte da periodização

Um treino intenso precisa ser considerado dentro do contexto dos dias anteriores e seguintes. Alternar estímulos e períodos de recuperação permite controlar a carga e aumentar a qualidade das sessões importantes.

Por exemplo, um atleta que realiza um treino intervalado de alta intensidade e tenta repetir a mesma sessão no dia seguinte pode não conseguir atingir as intensidades previstas. Um treino mais leve ou um dia de recuperação pode permitir que ele chegue ao próximo estímulo com maior capacidade de execução.

A recuperação, nesse caso, não interrompe o treinamento. Ela organiza o treinamento.

Descanso não é apenas dormir

O sono é um dos principais componentes da recuperação, mas não é o único.

Alimentação adequada, reposição de carboidratos após sessões com maior demanda energética, ingestão suficiente de proteínas e controle da carga de treinamento também contribuem para que o organismo se recupere.

Por isso, a recuperação deve ser pensada como parte da estratégia de performance, e não como o intervalo entre dois treinos.

Mais treino ou melhor recuperação?

Para evoluir, o objetivo não é acumular o maior número possível de sessões. É conseguir aplicar estímulos suficientes para gerar adaptação sem ultrapassar a capacidade de recuperação do organismo.

Um atleta que chega descansado aos treinos importantes pode conseguir executar melhor o ritmo, a potência ou o volume planejado. Ao longo das semanas, essa consistência pode ser mais relevante para a evolução do que simplesmente aumentar a quantidade de treinos.

Descansar não é fazer menos. É dar ao corpo a oportunidade de responder ao que você treinou.

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