Você está correndo no mesmo ritmo, mas percebe que sua frequência cardíaca está cada vez mais alta. Isso pode parecer estranho, afinal, se a velocidade não mudou, por que o coração estaria trabalhando mais?

A resposta está no fato de que a relação entre ritmo e frequência cardíaca não é fixa. Ao longo do exercício, principalmente quando ele é prolongado, o organismo pode precisar aumentar o esforço cardiovascular para manter a mesma velocidade.

O corpo pode estar trabalhando mais para fazer a mesma coisa

Durante um exercício contínuo, a temperatura corporal tende a aumentar e mudanças no volume plasmático podem ocorrer com a perda de líquidos pelo suor. Como consequência, o volume de sangue ejetado pelo coração a cada batimento pode diminuir.

Para continuar fornecendo sangue e oxigênio aos músculos, o organismo pode compensar aumentando a frequência cardíaca. Esse fenômeno é conhecido como deriva cardiovascular.

Por isso, é possível manter exatamente o mesmo pace enquanto a frequência cardíaca sobe progressivamente.

Um exemplo prático

Imagine um corredor fazendo um treino de 60 minutos a 5:00 min/km.

Nos primeiros 20 minutos, sua frequência cardíaca está em 150 bpm. O ritmo permanece estável, mas depois de 40 minutos a frequência chega a 158 bpm e, perto do final, a 163 bpm.

O atleta não acelerou. Mesmo assim, o coração está trabalhando mais para sustentar aquele mesmo ritmo.

Isso pode acontecer por fatores como aumento da temperatura corporal, desidratação, duração do exercício e intensidade relativa do esforço.

Isso significa que o atleta está piorando?

Não necessariamente.

Uma elevação gradual da frequência cardíaca durante um exercício prolongado pode ser uma resposta fisiológica normal. O contexto é fundamental para interpretar o que está acontecendo.

Se a frequência sobe muito enquanto o ritmo permanece igual e a percepção de esforço também aumenta, pode ser um sinal de que aquela intensidade está ficando progressivamente mais exigente para o organismo.

Por outro lado, condições ambientais, hidratação, sono, estresse e até cafeína podem influenciar a frequência cardíaca e precisam ser considerados.

Por que isso importa para o endurance?

Em provas longas, entender essa relação ajuda a interpretar o esforço de forma mais precisa. Um ritmo que parece confortável no início pode representar uma demanda fisiológica muito maior depois de algumas horas.

Por isso, estratégias de pacing não devem considerar apenas a velocidade. Frequência cardíaca, percepção de esforço, temperatura e duração do exercício também ajudam a entender quanto o organismo está trabalhando.

O ritmo mostra o que você está fazendo. A frequência cardíaca ajuda a entender quanto o corpo está trabalhando para continuar fazendo.

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