Os géis de carboidrato são amplamente utilizados no endurance porque atuam diretamente nos mecanismos fisiológicos responsáveis pela produção de energia durante o exercício prolongado. A sua eficácia está relacionada ao metabolismo energético, à absorção intestinal e à manutenção da glicose no sangue ao longo do esforço.

Compreender esses processos ajuda a entender por que a ingestão de carboidrato durante o exercício influencia o desempenho físico e cognitivo.

Carboidrato como fonte de energia no endurance

Em exercícios de intensidade moderada a alta, o carboidrato é o substrato mais eficiente para a produção de energia. Ele permite uma geração mais rápida de ATP, a molécula que sustenta a contração muscular, quando comparado à oxidação de gordura.

Durante o endurance, a disponibilidade de carboidrato está diretamente associada à capacidade de manter ritmo, potência e concentração ao longo do exercício.

Glicogênio muscular e glicose sanguínea

O organismo armazena carboidrato principalmente na forma de glicogênio muscular e hepático. Essas reservas são limitadas e se reduzem progressivamente em exercícios prolongados.

A ingestão de carboidrato durante o exercício contribui para manter a glicose sanguínea estável e reduz a dependência exclusiva do glicogênio muscular, favorecendo a continuidade da produção de energia.

Absorção intestinal durante o exercício

Durante o exercício, o fluxo de sangue é direcionado principalmente para os músculos ativos e para o controle da temperatura corporal. Ainda assim, o intestino mantém a capacidade de absorver carboidratos quando eles são ingeridos em formas adequadas.

Os géis de carboidrato utilizam fontes de fácil digestão, o que facilita a absorção e a disponibilização de energia durante o esforço prolongado.

Transportadores intestinais e múltiplas fontes de carboidrato

A absorção de carboidrato ocorre por meio de transportadores específicos no intestino. A glicose e a maltodextrina utilizam principalmente o transportador SGLT1, enquanto a frutose utiliza o GLUT5.

A combinação de diferentes fontes de carboidrato permite o uso simultâneo desses transportadores, aumentando a quantidade total de carboidrato absorvida durante o exercício.

O papel da palatinose nos géis de carboidrato

A palatinose, também conhecida como isomaltulose, é um carboidrato de digestão e absorção mais lentas quando comparado a carboidratos de rápida absorção. Essa característica resulta em uma resposta glicêmica mais gradual e estável.

Em géis de carboidrato, a presença de palatinose contribui para uma oferta energética mais sustentada ao longo do exercício, o que pode ser especialmente relevante em esforços prolongados, nos quais a estabilidade da glicose sanguínea é um fator importante para o desempenho.

Oxidação de carboidrato e manutenção do desempenho

Após a absorção intestinal, o carboidrato ingerido pode ser rapidamente utilizado pelo músculo em atividade. A ingestão durante o exercício aumenta a oxidação de carboidrato proveniente da alimentação e ajuda a preservar parte das reservas internas.

Esse mecanismo está associado à menor sensação de fadiga e à manutenção do desempenho físico e mental no endurance.

O que a ciência mostra

A evidência científica indica que a ingestão de carboidrato durante exercícios prolongados melhora a disponibilidade energética, sustenta a produção de energia e contribui para a manutenção do desempenho ao longo do esforço.

Os géis de carboidrato representam uma forma prática de aplicar esses princípios fisiológicos no endurance, respeitando os limites do sistema digestivo e as demandas metabólicas do exercício.


Referencia científica:

Notbohm HL, Feuerbacher JF, Papendorf F, et al.
Metabolic, hormonal and performance effects of isomaltulose ingestion before prolonged aerobic exercise.
Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2021.

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