Escolher o gel de carboidrato ideal vai muito além do sabor ou da marca. A decisão envolve entender o tipo de treino ou prova, a duração do exercício, a intensidade, a tolerância gastrointestinal e a estratégia nutricional do atleta. Em esportes de endurance como corrida, ciclismo e triathlon, o gel certo pode impactar diretamente o desempenho.
Diferença entre gel para treino e gel para prova
Durante os treinos, o gel tem um papel importante no teste da estratégia nutricional. É nesse momento que o atleta avalia a tolerância gastrointestinal, o sabor que funciona melhor e como o corpo responde ao consumo de carboidrato em movimento.
Em treinos curtos, muitas vezes o uso de gel não é essencial. Já em treinos longos, ele passa a ser uma ferramenta para treinar o intestino e adaptar o organismo ao consumo de carboidrato durante o exercício.
Na prova, a lógica muda. O gel utilizado deve ser aquele já testado previamente, com composição conhecida e alinhado à estratégia planejada. Escolher o gel do dia da prova apenas pelo sabor pode aumentar o risco de desconforto gastrointestinal e queda de rendimento.
Como ajustar o uso do gel à duração e intensidade do exercício
Em exercícios de curta duração e alta intensidade, a necessidade de carboidrato durante o esforço é menor, mas o uso estratégico pode fazer diferença em provas próximas de 60 minutos.
Em exercícios de média duração, o consumo regular de carboidrato ajuda a manter a intensidade e retardar a fadiga, tornando o gel uma ferramenta útil.
Em provas longas e contínuas, como maratonas, pedais extensos e provas de triathlon, a ingestão adequada de carboidrato ao longo do tempo é ainda mais importante. A intensidade do exercício influencia diretamente a absorção intestinal e a necessidade de carboidrato por hora, reforçando a importância de uma estratégia bem definida.
Evidências científicas recentes mostram que estratégias nutricionais que consideram a ingestão de carboidratos de forma planejada podem contribuir para a manutenção da performance em atletas de endurance. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2021 em Journal of the International Society of Sports Nutrition analisou intervenções nutricionais envolvendo carboidratos em atletas treinados e destacou como diferentes abordagens de consumo podem influenciar adaptações e desempenho em modalidades de endurance, como corrida, ciclismo e triathlon, especialmente em esforços prolongados.
Erros mais comuns na escolha do gel
Alguns erros são frequentes e podem comprometer a estratégia nutricional do atleta.
Usar cafeína sem planejamento pode gerar efeitos indesejados como desconforto gastrointestinal ou alteração excessiva da frequência cardíaca. Não considerar o consumo de carboidrato por hora pode resultar em ingestão insuficiente de energia ao longo do exercício.
Testar um gel novo diretamente na prova aumenta o risco de intolerância. Ignorar fatores como calor, umidade e taxa de suor pode levar a desidratação e queda de desempenho.
Como combinar gel com outros formatos de carboidrato
Em provas mais longas, combinar o gel com outros formatos de carboidrato pode ser uma estratégia eficaz.
Consumir gel junto com bebida esportiva ajuda a distribuir melhor a ingestão de carboidrato e fluidos ao longo do tempo. O uso de gel junto com um repositor eletrolítico pode auxiliar na manutenção da hidratação e do equilíbrio de sódio, especialmente em condições de calor intenso.
Estratégias mistas são especialmente úteis em corridas longas, ciclismo e triathlon, melhorando a absorção e o conforto gastrointestinal.
Aplicação por modalidade esportiva
Na corrida, a estratégia de uso de gel varia conforme a distância da prova. Provas curtas exigem menos intervenções, enquanto provas médias e longas demandam planejamento do consumo de gel ao longo do percurso.
No ciclismo, o consumo contínuo de carboidrato ao longo do tempo facilita a manutenção da energia e reduz as oscilações de rendimento.
No triathlon, a estratégia precisa considerar as transições e a fadiga acumulada entre as modalidades de natação, ciclismo e corrida, ajustando o uso do gel conforme cada segmento para manter o desempenho até o final.
Conclusão
Não existe um gel universal que funcione para todos os atletas e situações. O melhor gel é aquele que se encaixa na estratégia nutricional, na modalidade esportiva, na duração do exercício e na tolerância individual. Escolher bem o gel é parte do planejamento de performance e não um detalhe de última hora.
Referência: Gejl K.D., Nybo L. et al. Performance effects of periodized carbohydrate restriction in endurance trained athletes – a systematic review and meta-analysis, Journal of the International Society of Sports Nutrition (2021).