Embora os suplementos utilizados nos treinos e nas competições possam ser os mesmos, a forma como são utilizados nem sempre deve ser igual. O objetivo de uma sessão de treinamento é promover adaptações fisiológicas, enquanto o objetivo da competição é maximizar o desempenho. Por isso, a estratégia de suplementação deve ser ajustada de acordo com cada situação.
Treinar e competir têm objetivos diferentes
Durante os treinos, o foco é estimular adaptações que tornem o organismo mais eficiente ao longo do tempo. Dependendo da fase de preparação e do tipo de treino, pode ser interessante variar a disponibilidade de carboidratos, testar estratégias nutricionais e adaptar o trato gastrointestinal para tolerar a ingestão de alimentos e suplementos durante o exercício.
Já na competição, a prioridade é diferente. O objetivo é oferecer ao organismo tudo o que possa contribuir para manter a intensidade do exercício, retardar a fadiga e preservar o desempenho do início ao fim da prova. Nesse contexto, a estratégia nutricional busca minimizar riscos e utilizar apenas recursos já testados durante os treinos.
A suplementação durante os treinos
Nem todo treino exige a mesma estratégia de suplementação. Sessões curtas ou de baixa intensidade, por exemplo, podem não demandar ingestão de carboidratos durante o exercício. Em contrapartida, treinos longos ou de maior intensidade costumam se beneficiar da oferta de carboidratos para manter a disponibilidade de energia e permitir que o atleta sustente a qualidade da sessão.
Além disso, os treinos são o momento ideal para testar diferentes produtos, sabores, quantidades e horários de consumo. Essa prática permite identificar quais estratégias funcionam melhor individualmente e reduz o risco de desconfortos gastrointestinais no dia da prova.
Também é durante os treinamentos que o intestino pode ser "treinado". A ingestão regular de carboidratos durante exercícios prolongados favorece adaptações na capacidade de absorção, aumentando a tolerância a maiores quantidades de carboidratos durante competições.
A suplementação na competição
Na competição, não é o momento de experimentar novos suplementos ou alterar estratégias já estabelecidas. O ideal é utilizar exatamente aquilo que foi treinado e validado ao longo da preparação.
O consumo de carboidratos durante provas de endurance ajuda a manter a glicemia, preservar os estoques de glicogênio e fornecer energia rapidamente disponível para os músculos, contribuindo para retardar a fadiga e sustentar o desempenho. Dependendo da duração e intensidade da prova, também podem ser utilizados recursos como cafeína, eletrólitos e hidratação planejada.
O planejamento da suplementação deve considerar fatores como duração da prova, intensidade, temperatura, altimetria e tolerância individual, sempre buscando garantir aporte adequado de energia e líquidos durante todo o percurso.
O que muda na prática?
Na maioria dos casos, os suplementos utilizados são os mesmos, mas a estratégia costuma ser diferente.
Durante os treinos:
- Testar produtos, sabores e quantidades.
- Adaptar o intestino ao consumo de carboidratos.
- Ajustar horários de ingestão.
- Adequar a suplementação ao objetivo de cada sessão.
Durante as competições:
- Utilizar apenas estratégias previamente testadas.
- Priorizar o fornecimento contínuo de energia.
- Manter hidratação e reposição de eletrólitos conforme o planejamento.
- Evitar mudanças de última hora que possam comprometer o desempenho.
Conclusão
Suplementar para treinar e suplementar para competir não significa fazer exatamente a mesma coisa. Enquanto os treinos permitem testar estratégias e promover adaptações, a competição exige um plano bem definido, baseado no que já foi praticado e validado. Ajustar a suplementação de acordo com o objetivo de cada momento contribui para melhorar o desempenho, reduzir riscos de desconforto e aproveitar ao máximo todo o treinamento realizado.