A ciência da nutrição esportiva avançou muito nos últimos anos. Hoje sabemos com clareza o que faz diferença num gel e o que não faz. Neste artigo, apresentamos os 6 critérios que guiam o desenvolvimento da Z2 Performance e que deveriam guiar qualquer decisão séria na hora de escolher ou prescrever um gel de carboidrato.
1. Diferentes fontes de carboidratos faz toda a diferença
O critério mais importante num gel não é o sabor, é de onde vem o carboidrato. O intestino absorve diferentes tipos de carboidrato por caminhos diferentes. Quando o gel usa apenas uma fonte, esse caminho fica sobrecarregado: parte da energia não é absorvida, fica parada no intestino e causa cólica, inchaço e náusea. Esse é um dos motivos mais comuns de mal-estar em prova.
A solução é combinar fontes diferentes que usam caminhos de absorção paralelos como glicose e frutose, por exemplo. Com isso, o intestino consegue absorver mais carboidrato por hora sem sobrecarregar nenhuma via. A pesquisa mais atual indica que a proporção ideal entre essas duas fontes é próxima de 1:0,8. Um pouco diferente do antigo padrão 2:1 já que essa nova combinação melhora tanto a absorção quanto o conforto intestinal.
Géis com maltodextrina como fonte única são a tecnologia dos anos 90. Blends bem formulados permitem consumir 90 a 120g de carboidrato por hora com muito menos risco de problema intestinal, o que é decisivo em provas longas. Mas existe ainda uma terceira dimensão que a maioria ignora: a curva de duração da energia ao longo do tempo.
É aqui que a isomaltulose entra como a terceira fonte no blend Z2. Ela é um carboidrato natural com uma estrutura molecular mais estável, que o organismo digere de forma mais lenta e gradual. Seu índice glicêmico é 32, bem abaixo dos 85 da maltodextrina. Na prática, isso significa que ela não provoca pico e queda de energia: ela libera glicose de forma contínua por mais tempo. Isso tem um efeito valioso especialmente nos momentos finais da prova, quando os estoques de energia estão no limite e a estabilidade glicêmica começa a fazer a diferença entre manter o ritmo ou travar.
Os estudos confirmam isso. Em um ensaio clínico com 20 ciclistas (König et al., 2016), quem usou isomaltulose teve glicemia mais estável durante o esforço, queimou mais gordura como combustível, poupando glicogênio, e foi mais rápido no time trial final, comparado a quem usou apenas maltodextrina. Um segundo estudo com corredores (JISSN, 2021) confirmou o mesmo padrão: glicemia mais estável, menos pico de insulina, sem qualquer diferença no conforto intestinal. A tolerância foi equivalente às outras fontes.
Por isso, o blend Z2 usa a proporção 2:1:1 (maltodextrina, frutose e isomaltulose). Cada uma cumpre um papel diferente no tempo: a maltodextrina dá energia rápida logo nos primeiros minutos após a ingestão; a frutose entra por um caminho paralelo no intestino, aumentando a capacidade total de absorção sem sobrecarregar uma única via; e a isomaltulose sustenta o fornecimento de energia na fase intermediária e final da prova, quando o glicogênio começa a cair. Três fontes. Três janelas de tempo. Um gel que acompanha o esforço do começo ao fim.
2. Consistência e formulação importam
Muito atleta chega bem treinado numa prova e não termina por causa do intestino. Cólica, náusea, aquela sensação de estômago cheio que não passa. E tudo isso tem causa. Um gel muito concentrado ou mal formulado demora para ser absorvido, fica parado no estômago e começa a causar mal-estar exatamente quando você mais precisa de energia. Isso não é azar. É formulação ruim.
A formulação do gel precisa ser compatível com a velocidade de absorção do intestino em esforço. Géis com formulação isotônica, ou seja, com concentração próxima à dos próprios fluidos corporais são absorvidos mais rápido e com muito menos risco de desconforto. Um benefício prático: você não precisa obrigatoriamente tomar água junto. Isso importa muito em situações em que água não está disponível o tempo todo, como numa descida de ciclismo ou no meio de uma corrida em trilha.
Existe ainda um aspecto que muda a forma de prescrever: o intestino se adapta. Quanto mais você pratica consumir carboidrato durante o treino, maior a tolerância em competição. Isso significa que o gel precisa ser introduzido nos treinos, nunca estreado na prova. Para nutricionistas e médicos, isso tem implicação direta: a preparação digestiva começa semanas antes do evento, não na véspera.
3. Sabor e fadiga de paladar definem o quanto você suporta
Gostar do sabor do gel parece trivial. Mas tem um lado científico que afeta diretamente a performance: se você enjoa do produto no meio da prova, para de comer. E parar de comer quando você ainda tem horas de esforço pela frente é um problema sério. O sabor não é preferência pessoal, é parte da estratégia de fueling.
A ciência tem nome para isso: Sensory-Specific Satiety, ou fadiga de sabor. É quando o organismo começa a rejeitar aquilo que antes era gostoso, simplesmente por repetição. Sabores muito doces ou muito intensos costumam disparar essa fadiga mais rápido. O atleta que depende de um gel com sabor forte tem muito mais chance de travar o consumo nas fases finais da prova.
Estudos mostram que nos primeiros 60 minutos de exercício os atletas preferem sabores mais doces. Depois disso, essa preferência muda: o organismo passa a querer sabores mais neutros ou levemente salgados. Géis com perfil de sabor mais suave aguentam melhor esse teste do tempo e o atleta continua consumindo no momento que mais precisa, sem resistência.
4. Sódio para além da reposição
A maioria associa sódio à reposição do que é perdido no suor. Isso é verdade, mas é apenas metade da história. O sódio tem um papel ativo na absorção de glicose no intestino: ele funciona como um parceiro de transporte e sem ele, a glicose entra de forma menos eficiente. Em termos práticos: um gel sem sódio adequado absorve menos energia do que poderia, mesmo com a formulação de carboidratos perfeita.
Além disso, o sódio favorece a absorção de água no intestino o que significa que ele contribui para a hidratação ao mesmo tempo que ajuda no fornecimento de energia. Em provas longas e no calor, quando as perdas pelo suor são maiores, um gel com sódio insuficiente pode comprometer tanto a energia quanto a hidratação. São dois problemas num só.
A quantidade certa de sódio varia e depende de quanto você sua, da intensidade do esforço e do clima. Na Z2, o sódio é uma variável de formulação tratada com a mesma seriedade que os carboidratos.
5. Cafeína: dose e momento fazem toda a diferença
A cafeína é o suplemento mais estudado da história da nutrição esportiva e os estudos são consistentes: ela melhora a performance de resistência. A dosagem ideal não precisa ser alta. Doses moderadas, usadas no momento certo, têm o mesmo efeito das doses grandes sem os efeitos colaterais: coração acelerado, nervosismo, mau humor, problema no intestino.
A cafeína age principalmente no cérebro, reduzindo a percepção de esforço o que faz você se sentir menos cansado do que está. Esse efeito é mais valioso nos momentos finais da prova, quando a cabeça começa a pedir para reduzir o ritmo. Por isso, a estratégia certa não é tomar cafeína desde o início. É guardar para os momentos críticos: aquela subida no meio da corrida, o trecho final do ciclismo, o sprint para cruzar a linha. Géis sem cafeína no começo, géis com cafeína nos momentos estratégicos e mais necessários.
Géis com doses muito altas de cafeína por unidade, acima de 200mg, tiram a flexibilidade e aumentam o risco de efeito acumulativo ao longo de um evento longo. O design ideal é dose moderada e eficaz, que pode ser combinada com liberdade na estratégia de fueling.
6. Embalagem como praticidade estratégica
A embalagem costuma ser tratada como decisão estética. É um erro. Imagine abrir um gel com as mãos suadas, a 170 batimentos cardíacos por minuto, enquanto ainda mantém o ritmo de corrida. Se a embalagem não facilita isso, parte do trabalho vai para o lixo. A melhor fórmula do mundo não funciona se não entra no corpo na hora certa.
O que realmente importa na embalagem: abrir com uma mão só; volume por dose certo: nem muito pequeno que exige vários géis por hora, nem tão grande que é difícil de engolir rápido e estabilidade de consistência no calor: géis que ficam líquidos demais ou grossos demais em temperatura alta afetam o consumo.
Na Z2, esses critérios fazem parte do protocolo de validação com a mesma seriedade que os parâmetros de formulação. Porque de nada adianta um gel perfeito por dentro se ele falha na hora mais importante: quando o atleta mais precisa dele.
Escolher ou prescrever um gel de carboidrato é uma decisão técnica, mesmo que pareça simples. Os 6 critérios apresentados aqui não são exigências de atleta de elite: são o mínimo que qualquer produto sério deveria cumprir. De onde vem o carboidrato, como o intestino reage, se o sabor aguenta a prova inteira, se o sódio está na dose certa, se a cafeína foi pensada para ser usada com estratégia, e se a embalagem funciona na prática. Tudo isso impacta o resultado final.
Na Z2, cada um desses critérios tem resposta específica em cada produto da linha. Não porque está na moda e sim porque a ciência é clara, e ignorá-la tem um custo real: o atleta que poderia ter chegado mais forte, mais rápido, ou simplesmente chegado.
Referências
- A Review of Carbohydrate Supplementation Approaches and Strategies for Optimizing Performance in Elite Long-Distance Endurance. Nutrients, 2025.
- A Step Towards Personalized Sports Nutrition: Carbohydrate Intake During Exercise. PLOS ONE, 2014.
- Podlogar, T., Wallis, G. A. Dietary Carbohydrate and the Endurance Athlete: Contemporary Perspectives. GSSI Sports Science Exchange, 231, 2022.
- Spriet, L. L. Caffeine and Exercise Performance: An Update. GSSI Sports Science Exchange, 203, 2020.