Quando pensamos em gel de carboidrato, a primeira coisa que vem à cabeça é energia. Afinal, sua principal função durante o exercício é fornecer carboidratos para ajudar a sustentar a intensidade e o desempenho. Mas, em alguns produtos, existe outro componente importante na composição: o sódio.

Isso levanta uma dúvida comum entre atletas e prescritores: todo gel precisa ter sódio?

A resposta é: não necessariamente.

A necessidade de sódio durante o exercício depende da duração e intensidade do treino, das condições ambientais, da taxa de suor, da concentração de sódio no suor e, principalmente, de como toda a estratégia de hidratação e reposição de eletrólitos foi planejada.

O que o sódio tem a ver com o exercício?

O sódio é o principal eletrólito perdido pelo suor. Durante exercícios prolongados, especialmente em ambientes quentes, a perda pode ser relevante e variar bastante entre atletas.

Além de participar do equilíbrio de fluidos, o sódio está envolvido na manutenção do volume plasmático e em processos relacionados à função neuromuscular.

Por isso, em atividades de longa duração, pensar apenas na quantidade de água ingerida pode não ser suficiente. É necessário considerar também os eletrólitos perdidos durante o exercício.

Mas isso não significa que todo produto consumido durante o treino precise obrigatoriamente conter sódio.

Gel de carboidrato e repositor de eletrólitos têm funções diferentes

Essa é uma das principais distinções.

O gel é, principalmente, uma ferramenta para fornecimento de carboidratos durante o exercício. Já um repositor de eletrólitos tem como objetivo contribuir para a reposição de minerais, especialmente sódio, perdidos no suor.

Na prática, essas funções podem estar no mesmo produto, mas não precisam estar.

Um atleta pode, por exemplo, utilizar um gel de carboidrato para atingir sua estratégia de carboidratos e utilizar um repositor de eletrólitos separadamente para ajustar a ingestão de sódio.

Por outro lado, dependendo da estratégia, também pode ser interessante escolher um gel que já forneça sódio, principalmente quando existe uma necessidade maior de integrar energia e eletrólitos em uma mesma ingestão.

Então, quando um gel com sódio pode fazer sentido?

O contexto do exercício é o que importa.

Em treinos mais longos, provas de endurance, ambientes quentes ou situações em que há maior perda de suor, a reposição de sódio pode ganhar importância.

Nesses casos, um gel que também fornece sódio pode ajudar a compor a estratégia de reposição ao longo da atividade.

Imagine, por exemplo, um atleta fazendo uma prova longa de corrida ou triathlon. Ao longo de várias horas, ele não está apenas consumindo carboidratos. Também está ingerindo líquidos e perdendo água e eletrólitos pelo suor.

Nesse cenário, olhar para cada produto de forma isolada pode dificultar a estratégia. O mais importante é entender quanto carboidrato, líquido e sódio o atleta está recebendo ao longo do exercício como um todo.

Mais sódio significa necessariamente melhor?

Não.

Essa é uma percepção importante.

A necessidade de sódio não é igual para todos os atletas e não existe uma quantidade universal que deva ser consumida durante qualquer treino ou prova.

A concentração de sódio no suor varia entre indivíduos, assim como a taxa de suor. Além disso, a ingestão de líquidos também influencia o equilíbrio de sódio durante o exercício.

A hiponatremia associada ao exercício, por exemplo, está relacionada principalmente ao consumo excessivo de líquidos hipotônicos e à retenção de água, e não simplesmente à falta de ingestão de sódio.

Por isso, aumentar indiscriminadamente a quantidade de sódio não substitui uma estratégia adequada de hidratação.

E o gel com 300 mg de sódio?

Um gel que fornece 300 mg de sódio pode ser uma ferramenta interessante justamente porque permite combinar duas necessidades em uma única ingestão: carboidratos e eletrólitos.

Isso não significa que 300 mg seja a quantidade ideal para todos os atletas ou para todos os momentos do exercício.

O valor deve ser interpretado dentro do planejamento completo. Se o atleta também utiliza água, bebida esportiva, repositor de eletrólitos ou outros alimentos durante a atividade, todo esse sódio deve ser considerado em conjunto.

A pergunta deixa de ser apenas “quanto sódio tem no gel?” e passa a ser:

“Quanto sódio esse atleta precisa e quanto ele já está recebendo durante o exercício?”

O que observar na prática?

Para decidir se um gel com sódio faz sentido, vale considerar:

Duração do exercício: quanto maior a duração, maior a relevância de planejar carboidratos, líquidos e eletrólitos.

Condições ambientais: calor e umidade podem aumentar a taxa de suor e, consequentemente, as perdas de sódio.

Taxa de suor: atletas que suam mais podem apresentar necessidades diferentes daqueles que perdem menos líquido.

Concentração de sódio no suor: a composição do suor também varia individualmente.

Estratégia de hidratação: água, bebidas esportivas e repositores de eletrólitos também contribuem para a ingestão total de sódio.

Tolerância e praticidade: em provas longas, combinar carboidrato e sódio em um mesmo produto pode simplificar a estratégia de consumo.

Um gel não precisa carregar sozinho toda a estratégia nutricional do atleta.

O mais importante é entender qual é a função de cada produto dentro do exercício.

O carboidrato sustenta a disponibilidade de energia. O líquido contribui para a manutenção da hidratação. O sódio participa do equilíbrio de fluidos e da reposição de eletrólitos perdidos no suor.

Esses elementos podem estar juntos ou separados. O melhor formato depende da necessidade individual e da estratégia definida para aquele treino ou prova.

Conclusão

Seu gel precisa ter sódio? Não necessariamente.

Um gel pode ser utilizado principalmente como fonte de carboidratos e o sódio pode ser fornecido por outra fonte. Mas, em determinadas situações, um gel que também contém sódio pode ser uma ferramenta prática para integrar energia e reposição de eletrólitos.

Mais do que procurar o gel com mais sódio, o objetivo deve ser entender quanto o atleta perde, quanto precisa repor e como todos os produtos consumidos durante o exercício se complementam.

No esporte, não existe um produto que funcione isoladamente. Existe uma estratégia.

Visualizar todos os artigos

Como saber a hora certa de tomar o primeiro gel?

Uma das dúvidas mais comuns entre corredores, ciclistas e triatletas é: "Quando devo tomar o primeiro gel de carboidrato?" A resposta pode parecer ...

Você realmente precisa de tudo o que está tomando para treinar?

Hoje, é comum encontrar atletas com uma rotina de treino acompanhada por uma série de suplementos: pré-treino, creatina, cafeína, gel, isotônico, e...