A utilização de gel de carboidrato é uma das estratégias mais comuns para sustentar a performance em esportes de endurance. Ainda assim, muitos atletas relatam queda de rendimento durante treinos e provas mesmo fazendo uso do produto. Esse cenário raramente está ligado apenas ao gel. Na maioria das vezes, está relacionado à forma como ele é inserido dentro da estratégia nutricional e do controle do esforço.
A quebra de performance está diretamente ligada à disponibilidade energética ao longo do exercício. O gel fornece carboidrato de rápida absorção, mas sua eficácia depende da quantidade ingerida por hora, do momento de consumo e da associação com hidratação.
Quando a ingestão é menor do que a demanda energética do esforço, o atleta continua entrando em déficit, mesmo usando suplementação. Isso é comum em provas longas, nas quais o gasto de carboidrato é alto e contínuo.
Quantidade de carboidrato por hora faz diferença real
Um dos erros mais frequentes é consumir gel apenas quando surge a sensação de fadiga. A estratégia nutricional deve ser preventiva e não reativa. A ingestão precisa acompanhar a intensidade e a duração do exercício para manter a disponibilidade de energia.
Sem esse planejamento, o atleta esgota progressivamente as reservas e a queda de rendimento acontece mesmo com o uso do produto.
Hidratação e sódio influenciam a absorção
O gel não atua isoladamente no organismo. A absorção intestinal depende do estado de hidratação e da presença de sódio. Quando o consumo ocorre sem líquidos suficientes ou em ambientes de calor, a absorção pode ser prejudicada e o desconforto gastrointestinal aumenta.
Essa combinação impacta diretamente a eficiência da estratégia nutricional.
Intensidade do esforço altera o uso de substratos energéticos
Atletas que iniciam provas em intensidade elevada aumentam a dependência de carboidratos desde o início. Isso acelera o consumo das reservas e eleva a necessidade de reposição ao longo do percurso.
Mesmo utilizando gel, a quebra pode acontecer quando a intensidade está acima do que a ingestão consegue sustentar metabolicamente.
Resposta individual também determina o resultado
A tolerância gastrointestinal, o treinamento do trato digestivo e a adaptação ao tipo de carboidrato influenciam a resposta ao consumo durante o exercício. Estratégias padronizadas nem sempre funcionam para todos.
Atletas que treinam a ingestão durante o treino tendem a ter melhor absorção e menor risco de queda de rendimento em prova.
Aplicação prática
A estratégia de uso de gel deve considerar duração do esforço, intensidade, condições ambientais e resposta individual. Planejar a ingestão de carboidratos por hora, associar hidratação adequada e ajustar o timing de consumo reduz o risco de quebra e sustenta a performance.
Conexão com a prática de endurance
Géis com diferentes combinações de carboidratos e sódio permitem modular a estratégia conforme o tipo de treino ou prova. A escolha precisa considerar contexto de uso, objetivo e tolerância individual ao consumo durante o exercício.
A quebra de rendimento mesmo com uso de gel não indica falha do produto. Indica, na maioria das vezes, ausência de estratégia nutricional estruturada. Quantidade, momento de ingestão, hidratação e individualidade fisiológica determinam o resultado final.
Quando essas variáveis são ajustadas, a suplementação passa a sustentar a performance de forma consistente ao longo do esforço.