Provas realizadas em ambientes quentes representam um desafio adicional para atletas de endurance. O aumento da temperatura corporal, a maior taxa de sudorese e as alterações na circulação sanguínea podem impactar diretamente a forma como o organismo tolera e utiliza os nutrientes ingeridos durante o exercício.

Nesse cenário, a estratégia de consumo de gel energético pode precisar de alguns ajustes. Quantidade de carboidrato, ingestão de líquidos e reposição de eletrólitos passam a ter um papel ainda mais importante para manter o desempenho e reduzir o risco de desconforto gastrointestinal.

Mas afinal, o que muda na estratégia de consumo de gel energético quando a prova acontece no calor?

De forma geral, em provas realizadas em temperaturas elevadas, a estratégia de gel energético costuma exigir maior atenção à hidratação, à reposição de sódio e à forma como os carboidratos são distribuídos ao longo da prova.

O calor aumenta o estresse fisiológico durante a prova

Durante exercícios prolongados em ambientes quentes, o corpo precisa trabalhar mais para manter a temperatura interna dentro de limites seguros. Para isso, ocorre um aumento do fluxo sanguíneo para a pele, facilitando a dissipação de calor por meio da sudorese.

Esse processo pode reduzir temporariamente o fluxo sanguíneo direcionado ao trato gastrointestinal. Como consequência, a digestão e a absorção de nutrientes podem ficar mais lentas.

Na prática, isso significa que alguns atletas podem apresentar maior sensibilidade gastrointestinal durante provas em condições de calor, especialmente quando a ingestão de carboidratos ou de gel energético é elevada ou muito concentrada.

A hidratação se torna ainda mais importante

Quando a prova acontece em temperaturas elevadas, a taxa de sudorese tende a aumentar significativamente. Isso leva não apenas à perda de água, mas também de eletrólitos, principalmente sódio.

Se o atleta consome gel energético ou gel de carboidrato sem ingerir líquidos suficientes, a solução que chega ao estômago pode ficar muito concentrada. Essa maior osmolaridade pode aumentar o risco de desconfortos como náusea, sensação de estufamento ou dificuldade de continuar consumindo gel ao longo da prova.

Por isso, em ambientes quentes, associar o consumo de gel energético à ingestão adequada de líquidos é ainda mais importante.

Pode ser necessário ajustar o ritmo de ingestão de carboidratos

As recomendações de ingestão de carboidratos durante exercícios de endurance costumam variar entre aproximadamente 30 e 90 g por hora, dependendo da duração da prova e do nível de treinamento do atleta.

No entanto, em condições de calor intenso, alguns atletas podem perceber que toleram melhor a ingestão de carboidratos quando ela é distribuída de forma mais fracionada ao longo da prova.

Consumir porções menores de gel energético em intervalos mais frequentes pode ajudar a reduzir a carga digestiva e facilitar a absorção dos nutrientes.

A reposição de sódio ganha ainda mais relevância

Além da água, o suor contém eletrólitos, principalmente sódio. Em provas realizadas no calor, a perda total de sódio pode ser consideravelmente maior.

A ingestão adequada desse eletrólito pode ajudar na manutenção do equilíbrio hídrico e estimular o consumo de líquidos ao longo da prova. Por isso, estratégias nutricionais que combinem carboidratos e sódio podem ser particularmente úteis em ambientes quentes.

Testar a estratégia durante os treinos é essencial

Assim como qualquer outra estratégia nutricional em provas de endurance, a abordagem ideal para consumo de gel energético no calor deve ser testada durante os treinos.

Treinar em condições ambientais semelhantes às da prova permite que o atleta ajuste a ingestão de carboidratos, líquidos e eletrólitos de acordo com sua tolerância individual.

Esse processo ajuda a reduzir surpresas no dia da competição e aumenta a chance de manter a ingestão energética adequada durante toda a prova.

Conclusão

Provas realizadas em ambientes quentes impõem desafios adicionais ao organismo e podem exigir ajustes na estratégia nutricional durante o exercício.

Garantir hidratação adequada, manter a reposição de eletrólitos e distribuir melhor o consumo de gel energético ao longo da prova são estratégias que podem ajudar a melhorar a tolerância gastrointestinal e sustentar o desempenho.

Referência

Veniamakis E., Kaplanis G., Voulgaris P., Nikolaidis P. T. (2022). Effects of Sodium Intake on Health and Performance in Endurance and Ultra-Endurance Sports. International Journal of Environmental Research and Public Health, 19(6), 3651. https://doi.org/10.3390/ijerph19063651

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